Informações de uso
O tabuleiro de doces e quitutes foi um elemento marcante das cidades brasileiras entre o final do século XIX e início do XX. Utilizado por vendedoras ambulantes, muitas delas mulheres negras conhecidas como “ganhadeiras”, era essencial para o abastecimento alimentar urbano. Algumas ainda viviam sob o sistema de ganho, no qual vendiam nas ruas para obter recursos, inclusive para comprar a própria liberdade. Mais que comércio, esse ofício representava autonomia, resistência e preservação de saberes de origem africana, adaptados aos ingredientes locais. Os tabuleiros ofereciam uma variedade de doces e comidas, como cocadas, quebra-queixo, quindins, cuscuz e acarajé, misturando influências africanas, indígenas e portuguesas. As vendas eram anunciadas por pregões, que marcavam o cotidiano sonoro das cidades. Com o avanço das políticas de urbanização e higiene, essas trabalhadoras passaram a sofrer restrições e fiscalização, sendo afastadas de áreas centrais. Ainda assim, o tabuleiro permanece como símbolo da cultura popular, da culinária tradicional e da história social brasileira.