Cadeira de dentista feita em estrutura de ferro, desmontável. A base é formada por um tripé, com um pé traseiro transversal preso por um grande parafuso em forma de borboleta.Do tripé se ergue uma haste de formato retangular, cheia de orifícios quadrados ao longo do seu comprimento. Essa haste é sustentada por uma barra inclinada ligada à base. Sobre essa haste deslizam o assento e o encosto.
Assento: feito com um suporte curvo, que possui uma alavanca para encaixar em diferentes furos da haste, ajustando sua posição. Na parte frontal há dois ferros curvos que sustentam um rolo de madeira, onde é preso o estofamento do assento. Encosto: segue o mesmo sistema do assento, com alavanca e ferros curvos que seguram uma barra de madeira, onde fica o estofamento do espaldar.
Na parte superior da haste está o apoio de cabeça, encaixado de forma móvel. Ele é formado por uma alça de ferro que segura um suporte de madeira curvo, revestido com tecido e couro. Esse apoio também tem uma alavanca que permite ajustar sua altura e posição.
Informações de uso
Essas cadeiras eram feitas de ferro e madeira, com encosto e apoio de cabeça reguláveis, dobravam e guardavam-se em um baú/caixa para transporte, Para esse atendimento itinerante, difundiram-se conjuntos odontológicos portáteis. O barbeiro-dentista foi um personagem comum no Brasil Colonial e Imperial, reunindo em um único ofício atividades como cortar cabelo, fazer barba, extrair dentes e realizar sangrias. Conhecidos como “barbeiros-sangradores”, atuavam quando ainda não existiam cursos de Odontologia no país e eram, por muito tempo, a principal alternativa de atendimento à população. Muitos aprendiam a profissão de forma prática, sem formação acadêmica, destacando-se pela habilidade manual. O trabalho era realizado em feiras, mercados e ruas, geralmente de forma itinerante, com instrumentos transportados em caixas ou baús.
Marcas e Inscrições
Um "W" entrelaçado por dois "S", inscritos em um losango
DANTAS, Rodrigo Aragão. A trajetória de médicos e barbeiros no Rio de Janeiro da segunda metade do século XIX. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 3, p. 1043-1050, jul./set. 2015.
FIGUEIREDO, Betânia Gonçalves. Barbeiros e cirurgiões: atuação dos práticos ao longo do século XIX. História, Ciências, Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 6, n. 2, p. 277-291, jul./out. 1999.
MARTINS, Yuri Victor de Medeiros; DIAS, Joselúcia da Nóbrega; LIMA, Isabela Pinheiro Cavalcanti. A evolução da prática odontológica brasileira: revisão da literatura. Rev. Nova Esperança, João Pessoa, v. 16, n. 3, p. 83-90, dez. 2018. Disponível em: https://www.facene.com.br/wp-content/uploads/2018/12/CAP-10_N3.pdf