Resumo
Esta pesquisa teve a intenção de compreender o que motiva os sujeitos de diferentes
grupos sociais a visitarem o Museu de Artes e Ofícios de Belo Horizonte – MG (MAO).
Referenciados nos conceitos de capital cultural e habitus construídos por Pierre
Bourdieu, e na sociologia de Bernard Lahire, sobretudo no conceito de ator plural,
buscamos investigar em que medida a origem social, o nível de escolaridade, a
frequência a práticas culturais e o convívio social com os amigos e/ou colegas de
trabalho poderiam influenciar a realização de uma visita ao Museu de Artes e Ofícios.
Para compreender os motivos da visita, foram aplicadas, entre agosto e novembro de
2014, 28 entrevistas semiestruturadas com sujeitos que visitaram o museu sem
agendamento prévio; ou seja, foram ao MAO de maneira espontânea. A análise das
entrevistas foi dividida em dois momentos. Na primeira etapa, todas as informações
obtidas das entrevistas que envolviam a escolaridade dos sujeitos, a escolaridade dos
pais e a frequência a outros museus, teatro, cinema e concertos foram tabuladas. Na
segunda etapa de análise selecionamos 13 entrevistas para serem analisadas
individualmente. Estes sujeitos foram divididos em três agrupamentos: indivíduos que
estavam passando pela Praça da Estação e visitaram o MAO, visitantes que estavam
trazendo familiares ou amigos para conhecer o Museu, e visitantes que foram ao MAO
por influência direta da escola. Através das razões apresentadas para visitar o Museu de
Artes de Ofícios foi possível identificar os discursos que os sujeitos utilizavam para
justificar ou legitimar a sua presença no museu. A pesquisa permitiu compreender que a
visita ao MAO não está necessariamente associada a uma disposição culta. Um dos
motivos que levam os indivíduos ao museu é a temática do acervo que, de alguma
forma, se aproxima das histórias sociais dos indivíduos.